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resgate

mas que droga mas que droga MAIS que droga! o sol está brilhando como nunca. a semana toda choveu, e eu fui, caminhei, obedeci o tempo. e não consegui nada além das frustrações, bem fracionadas e constantes. a alegria não se encaixa em mim. o sol é grande demais. é lindo em demasia. e a tristeza, tão minimalista, se ajeita e não quer mais ir embora. não quer caminhar. não quer se libertar. a solidão faz meu café, enquanto a tristeza assa o pão. e na mesa posta, há um bucado de um sonhos, de simplicidades não atingidas. de rancores mal resolvidos, de sortes escondidas. tudo juntinho, agrupado, ocupando pouco espaço. o sol briga com a cortina. tenta rasgá-la, tenta me resgatar. as nuvens se estacionam na minha janela, o vento quer me carregar. a natureza quer me sequestrar da realidade. o dia lindo quer me tirar da amargura. o tempo passa e eu me sento. tudo que me é posto naquela mesa se expande. toma minha mão. e não me deixa sair. as luzes artificiais estão ace...

balanço

É a terceira vez que escuto Fiona Apple nessa semana. Ninguém sabe que eu a conheço, e ninguém sabe o sinal que se apresenta ao ouvir tanto aquela voz melancólica. O óbvio. O não estar bem. E tento respeitosamente manter minha vida com a dignidade de uma formiga. Tão alheia aos seus próprios sentimentos - formiga sente?- e trabalhando duro para um futuro que não existe(ainda). E o ainda é um tempo que arde, por ser tão certeiro e incerto ao mesmo tempo. E confunde, muito. Fiona Apple é só mais uma enviada real para entreter o Rei que é  minha solidão. Não sou a mesma. Estou amargando. Estou preguiçando. Caindo, caindo. Aos dezessete. Na porta do mundo real. Cansada de tudo, cansando de mim. Realizando esforços repetidos, comendo as mesmas comidas. Sou sua comida em sabor e não me acho em feição atraente para nada, estando no nível prime da escala da neutralidade. Nunca me anulei tanto como ser humano. Nunca fui tão menos mulher, menos menina, menos atriz, menos filha. E aquilo q...

saudade

Visão embaçada, um aconchego solitário é o que eu ofereço. em minha parede de zinco, minha cama de gato fere como fera, e meus dentes rasgam a pele ferida da saudade.

Tango pra uma

A menina não quis entender. Não revidou, não gritou nem abafou o suspiro. Gotejando o suor, os passos largos, vívidos, árduos. Pés pequenos. Toda pequena. Compacta em seus delírios. É só mais uma rua, são apenas pessoas. Ela caminha com faíscas e seu olhar corta. Possui tranquilidade, pouca intelectualidade, medíocre em sua insensatez. Ela é tão sozinha, precisa da sua companhia. Precisa parar o trânsito. Amarrar numa corda todos os velhos que a sexualizam com o olhar, a boca baforenta, as mãos estranhas. Não toquem nela, seus brutos! Ela vai parar o trânsito e subir em cima dos carros, e seus pés -ah,estes farão estragos- nervosa está. A fúria de uma menina, endeusada por ela mesma. Quem a endeusou? A solidão. Em cima dos carros, ela dançará.

Bruta

Desejando uma pele que não se toca, um olho que não se enxerga, uma tragédia que se desintegra, uma moral que não é muito bem estabelecida. Pelo tédio ou pelo medo, no meio-fio, cambaleando, sambando em cima da tua carne. Desnudando teu corpo poético, me jogando por cima de tuas palavras cruas. Entendendo o teu complexo, e você o inverso. Escrevendo na tua parede desafios impossíveis. Apontando uma arma para a tua ironia. Glorificando tua submissão. Acarinhando tua força.  E na contradição você se encontra. Eu estarei lá com uma faca ou uma flor na mão. Tome nota.
jogarei fora a fórmula nada secreta dos homens. a infantilidade nos assuntos mais densos, a seriedade presente na brincadeira, na jogatina, na putaria. não acho que a putaria deva ser levada a sério. não acho que a frustração deva ser levada na brincadeira. assim como eu posso dizer que, os meus achismos não podem ser respeitados. não são afirmações. são dados empíricos. uma pequena vivência, após dias tentando entender o que se passa na cabeça. tô jogando a fórmula mais simples de ter algo. o simplesmente querer. uma fuligem na cara para todo o cinismo que existe em mim. até porque, levei muito a sério isso. essa coisa de me parecer certa, de querer ter certeza. tudo é brincadeira. esse cenário vai ser desconstruído conforme o tempo passar, e o que sobrará? nem o peso, nem a leveza. nem a verdade, nem a mentira. nem a frustração, tampouco a putaria. nem a boca, nem a fala. tudo que se constrói a partir de seu complemento, será apagado de nossas memórias. até quando o próprio compartim...

Pra não dizer que não falei das flores..

 minha intenção nunca foi me calar. As opiniões são construídas sim, de boca em boca, de livros em livros, é a minha bagagem. São os pequenos diálogos do meu cotidiano, é a minha avó reclamando do preço do arroz, é a minha mãe se apertando no aluguel mensalmente. É o professor andando de ônibus, cheio de cadernos na mão, com um olhar cansado, sem forças. É o silêncio perturbador de um ônibus lotado. Se trata daquilo sim, que eu vejo na televisão. Ás vezes é só deixar a tv no mute e apreciar as imagens, para se obter uma aproximação dessa realidade triste. É chegar em casa, depois de um dia no colégio, e ver que milhares de pessoas estão na rua. O real motivo - bem, eu sozinha não poderei saber.- Sei aquele motivo nobre. Aquele motivo que faz perder o sono, se bem que o gigante acordou. Acordou atordoado, querendo levantar sem olhar para os próprios pés. Razão. Consciência. Deixemos a euforia de sermos apenas brasileiros em luta um pouco de lado, usemos nossas cabeças. Que tenhamo...