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estupidez

há coisas que não entendo e há coisas que me recuso a entender. à exemplo, a ignorância. eu me recuso a entender a falta de educação, a petulância, o mau-caráter. Entendo que essas coisas não têm entendimento, não há desculpas, motivo, seja lá o que for. A Estupidez é mal comum de toda a humanidade, tanto a informatizada como a arcaica. E subentende-se que isso nunca irá acabar. Sempre terá alguém que se sentirá no direito de ser estúpido, de não aceitar as coisas como elas de fato são, de não assumir seus próprios erros. E trará na discussão a teoria besta de que  faz parte do ser humano, assim como o erro..  Errar é humano . É tão humano que os próprios humanos negam seus erros, renegam o filho primogênito! O filho dependente é o erro. E o erro é fruto do casamento do homem com a maldita estupidez.

"Perdoando Deus"

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, ma...

o porquê que não serviria para ser escritora.

- desde quando escreve? - bem, senhor, desde muito jovem - risonha - desde quando? - desde jovem! que dizer - se recompõe- sobre meus sentimentos, escrevo a pouco tempo, mas sempre escrevi sobre o resto. - então há apenas seus sentimentos e o resto? -  sim. escrever não é fácil.. - certo, certo. e você veio até aqui para....? - para apresentar minha história. ele pega o caderno improvisado, já desgastado e com folhas inchadas e marcadas pela caligrafia grossa da menina. ele folheia uma, duas, três páginas. - moça, essa história não é sua, você mesma escreveu aqui -aponta. - sim, é sobre um amigo. - então você também escreve sobre os outros ? - mais ou menos. este menino fez parte da minha vida. - namoradinho de escola? - eu nunca quis namorar com ele. eu andava com ele, o mais esquisito de todos. eu o achava um exagerado, um ignorante sem senso crítico sobre os assuntos mais "densos" da vida, como a sociedade, o governo. ele era um leigo, nunca namoraria com el...

expressivo 06

aqui jaz o foco a luz que está sob o meu caminho, a alma que já está em estilhaços. eu morro e renasço, sempre, sim senhor. já me reduzi até minha última dimensão.

L

poderia tentar poderia adiar toda essa espera , para conhecer-te bem mais perto. poderia resolver poderia me mover poderia envolver beijos e abraços nessa nossa longa conversa. poderia imaginar poderia sentir poderia acordar desse sonho tão curioso, que me faz tremer todas as vezes que poderia estar vivendo.

expressivo 05

É tão difícil dizer para o mundo que você não é igual aos outros? Que você não precisa usar as mesmas roupas, o mesmo cabelo, ouvir as mesmas músicas; ou, que não existe uma tabela de feições faciais que correspondem exatamente com o seu humor ou estado de espírito. eu posso estar com a cara "fechada" e estar alegre. quem pode moldar meu humor? e minha alma? Ninguém! Eu queria me anular por uns dias. Uma ótima ideia, seria bom ter aqueles dias que não há tentações para resistir, não há tarefas para fazer, não há sentimentos para sentir. Eu quero logo me anular. E reativar-me novamente. Seria neutra e invisível para tudo e todos. E depois, voltaria, como se tudo fosse novo, como se os beijos fossem novos, como se as relações fossem novas, uma inteligência sem danos, um coração sem traumas. Uma forma mais surreal sofisticada de fugir da realidade. Por fim, contaria essa experiência para os irredutíveis, os automáticos que não dão a mínima para as emoções alheias. Até porqu...

expressivo 04

não queria me sentir mal, mas devo me acostumar. já diziam, são tempos difíceis para os sonhadores.. ando na linha reta, mas meu equilíbrio se perde.. quem me fez assim? Quem me fez tão inconstante, como uma lágrima, orgânica e inconstante na sua forma de gota? Um simples toque e se desmancha toda. Partículas do que foi choro.. choro no silêncio, choro no escuro. Mas foi. a minha teoria é que essa inconstância veio de nascença. nascença da alma. sim, no nascimento da minha alma -se é que existe tal fenômeno- a incerteza foi mais forte. e assim, tudo que diz respeito ao meu eu, é uma simples e longa indecisão. mas, durante esses dias, tem piorado. eu odeio todos. ou assim quero fazer. e acreditem, percorro por cada setor da minha vida, caçando motivos, caçando lembranças para detestar você. ou os meus conhecidos. ou a conhecida eu.  mas no fundo, não passa de uma estúpida implicância comigo mesma. e então, até a alma não escapa do esporro .