uma vez um homem pobre, sem dinheiro ou família, desejou que no mínimo fosse reconhecido pelas suas obras. este homem trabalhava de dia e de noite. construía casas. quando ele comprava a madeira, avisava ao seu superior que ele iria se esforçar. quando ele preparava o cimento, ele avisava ao seu superior que estava fazendo um ótimo trabalho e que a massa ficaria perfeitamente consistente. quando ele conseguia os tijolos, conversava com seu superior o quão fora difícil achá-los e teve que os escolher a dedo para construir alinhadamente as paredes. esse homem via a necessidade de dizer seus feitos, porque não sentia que era reconhecido. e quando era, não era do jeito que ele desejava. de tanto trabalhar, esse homem acabou perdendo seus destaques. as mãos cansaram. o corpo não é o mesmo. não conseguia os melhores tijolos, madeiras e preparação de massas corridas. não havia muito o que se fazer. o homem então chegou a reclamar com seu superior, avisando que ele não estava sendo valorizado naquele lugar. pobre homem não reconhecia que o tempo nos fere. a vontade de ser amado, gostado, querido, visualizado, atendido. compreendido. vontades do nosso ego. mesmo quando tal coisa é de nosso direito. mesmo quando nós somos bobos o bastante para acharmos que esse é o nosso direito. mas o ego ainda sim sabe nos enganar e nos cega para aquilo que de fato devemos mudar em vida. a vontade de sermos lembrados, talvez.
pode ser uma segunda feira, mas acredito que não seja.
quadros vazios sem métrica, cor quadros colados na parede pintura brusca do tédio do silêncio de consultório das revistas de mala-direta do café grudado da borda do copo do dente amarelado, brilhante da baba fina que passa pela garganta chega até os seus ouvidos e te faz sentir nojo meu bojo, meio desajustado,que me incomoda a ponto de não querer usar mais. volto para o quadro. tá vazio, apesar de ter um desenho nele. são quadrados, coloridos. um quadro dentro do outro. o vazio dentro do nada. um quadro feito para esperar. os quadrados quase jogados na minha cara, querendo dizer que esperar é o sacrifício dos inocentes.
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