domingo, 27 de abril de 2014

Solidão.

Gostaria de esboçar nessas linhas digitais aquilo que realmente me mantém sozinha. (em espírito..em verdade...)

mas é tão profundo que tenho medo de não voltar a superfície mais.

conheci um cara uma vez, que havia permitido que eu o amasse, o cuidasse e respeitasse.

quis muito fazer isso e acabei fazendo, de maneira desengonçada.

quantas mentiras juntas. esse cara nunca me permitiu nada. e eu nunca ultrapassei barreira alguma.

queria poder ter vivido com ele aquilo que sempre sonhei. queria ter vivido todos os santos clichês

de amar alguém - e ser correspondida, ser correspondida, meu Deus, como nunca fui correspondida.

e agora, minha tristeza se transforma em pedra-pomes, que raspa a pele morta do meu eu apaixonado.

frivolamente. individualmente sozinho. quetinho. barulhento.

e eu queria que isso fosse registrado de alguma forma, como a felicidade desse cara foi registrada

nas páginas digitais coloridas.

eu vejo sua felicidade e me espanto.  como pude não acertar? aceitar?

e considerando que esse episódio seja só um dos muitos que vivi/viverei

confirmo o azar de ter nascido para estar sozinha.

para pintar os lábios e deixá-los secar.

de comprar livros companheiros, cobertores amigos.

filmes camaradas, palestras colegas.

ser amiga do mundo para não morrer sem falar com ninguém.

fotos, não me esqueço das fotos.

noites frias. não posso esquecer.

solitárias voltas pra casa.

gatos cinzas desapegados.

tatuagem escondida.

vida nada bandida.

que me alimenta do nada.

a não ser da lembrança de querer ter sido amada,

por um momento.

só um momento.

(vou desligar a água fervendo)

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