domingo, 6 de abril de 2014

13/03

tentamos. claro que sim. olhamos pro espelho, pro corpo crescido, disfarçado nas roupas. tentamos ver através do espelho, por um momento, e voltamos para o mesmo lugar, real e comum. 
a pior coisa é tentar entrar dentro de si mesmo. e a melhor coisa sobre isso é conseguir entrar. mas não pense que é possível descrever o que se vê dentro de si mesmo, é intransponível na nossa língua falha, encardida de cordialidades. perdemos o contato de tudo. ficar sobre a superfície nunca foi tão - superficial. 
e as coisas com o tempo vão perdendo o sabor. e você nunca se culpa de nada, o mundo é que está cada vez mais desinteressante. bebe de outras fontes a mesma palavra, a mesma imagem. e volta-se para o espelho, indecifrável. e ainda exige explicações. como se você fosse a mulher revoltada e o mundo fosse o marido traidor.

vou contar um segredo.óbvio. mas ainda é segredo. ás vezes eu tenho vontade de sumir com tudo e só sobrar eu. pegar todas as coisas, botá-las num saco de lixo e jogar na caçamba mais próxima. não é porque não prestam. mas porque nunca saberei como viveria sem elas, e se ainda seria possível tentar entrar em mim. sem me preocupar com o meio. com o canto. com o tudo. não sei que espécie de vida teria, mas nem me incomodaria se ela não fosse inteligente.

eu sempre esqueço que eu iria pro saco também.  

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