quinta-feira, 5 de junho de 2014

roupa preta

escrito feito em

2010,


meu dia mais egocêntrico foi
quando me vesti toda de preto
e escureci os olhos incertos com sombra grafite
e me arranhei enquanto descia as escadas caracoladas
do meu aparamento encalhado.
me senti alguém impactante,
in-pacto
com uma vaidade que esvai (envai -
de
ce)
desce e escorre e
eu vou
ando pra lá
pra cá
e os homens de perfis variados
olham como se nunca tivessem visto
tal pessoa esquisitamente de preto
toda de preto,
da pele e da roupa.
e pelo grotesco imaginam
se sua calcinha também é preta.
e olham para os olhos,
assediados,
machucados,
egocêntricos e atrevidos ,
e  falando do olho
digo que  gosto que olhem quando
estou triste ou libidamente  cansada ,
gosto mais ainda quando estou
tarada
por coisas inexistentes,
desejos invisíveis,
vontades perecíveis.
o que existe,
mesmo,
são minhas roupas pretas
minha  sombra grafite,
e o tesão dos homens desconhecidos.


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