segunda-feira, 14 de abril de 2014

os olhos verdes que me furtaram

tão amarrotada estava. era a primeira semana legítima do outono, com a frivolidade. mas não falarei do tempo, nem na linha do tempo dessa história.

minha dor de cabeça e minha sensação tão indecifrável estavam tomando conta de mim. estava amarrotada, dentro de um metrô lotado. reparava em como as pessoas ficavam absurdamente apresentáveis. sóbrias. cores frias. languidão. e mísero de calor que fazia dentro daquele vagão já era o bastante para se aquecer e eu estava quase na porta e eu estava com sono e eu estava sonolenta, quando os olhos verdes me furtaram.  a atenção por estar olhando pra mim.

era uma moça. uma moça de cabelos grandes, com uma camisa florida,baixa, pequenina, ninha, inha, zinha, não! ela tinha grandes olhos. verdes. e eles foram estáticos para mim. sem medo, fitei os mesmos olhos com a escuridão  dos meus. ela era tão bonita e nunca tive a vergonha de admirar a beleza feminina, tão perfeita em sua disritmia. ela molhou os lábios. abaixou a cabeça. eu olhei para o nada. o nada preenchido de pessoas me apertando. eu voltei com meus castanhos para certificar se ela tinha jogado os verdes. e jogou. estava lá. a boca estava semi-aberta. e o que eu estava sendo? fazendo? olhando, desviando, mas sentia que meu corpo respondia algo. que eu não sabia fiscalizar. porra, eu não saía dos termos técnicos! eu era uma robô e percebi que estava agindo da mesma forma que ajo quando estou - encantada.

ela sorriu pra mim. deixei de pensar em uns segundos simplesmente continuei olhando.. e quis sorrir. mas não saía, a máquina travou. e minha estação se aproximou. pessoas que estavam entre nós se mexeram. e eu não consegui a ver mais e fui embora para outro sentido. os olhos verdes da moça não eram nada sem a moça dos olhos verdes.

Linda.

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